
Ana Gabriela Silva
Os castigos resultam?
Quase todos os pais já se perguntaram alguma vez acerca deste tema. Alguns convictos dos castigos recorrem frequentemente a este método porque já os seus pais e avós o faziam, mas quando paramos para pensar se os castigos ensinam a resposta é ensinam a obedecer ensinam a ter medo e na pior das hipóteses ensinam a mentir. Aquilo que verdadeiramente educa para a responsabilidade é compreender as consequências das nossas ações e nem sempre os castigos se prestam a esta aprendizagem.
Se uma criança faz uma birra porque quer um chocolate no supermercado e como castigo lhe retiramos o brinquedo que traz consigo, o que aprendeu ela sobre comer chocolates antes das refeições?
Se um adolescente não cumpriu o horário de chegada a casa e lhe tirarmos o telemóvel o que aprendeu ele sobre respeitar as regras em família e ser confiável?
Em ambos os casos nada ou muito pouco e provavelmente veremos os problemas aumentados pela frustração deles e a nossa irritação.
Construir autoridade suficiente para dizer não, por exemplo chocolates agora não, mas sim numa altura especial ou estabelecer uma relação de confiança que permita ao jovem chegar mais tarde avisando o seu atraso caso surja um motivo que o justifique implica proximidade, empatia pelas necessidades do outro, confiança mútua para cumprir o que se promete e respeito.
Todos estes factores são os que promovem bom carácter nos nossos filhos e um sentimento de segurança familiar.
Naturalmente que o carácter e a segurança não se constroem de uma vez só. A Educação saudável não pode ser igual à fast food, leva o tempo a cozinhar. Mas pode cozinhar-se comida de qualidade de forma simples se soubermos a receita
Por isso os castigos não são um bom investimento. Servem apenas para adiar o problema.
Bom investimento é conhecermos quais as necessidades das crianças e jovens, aprendermos a ser firmes a explicar-lhes o porquê das regras e gerirmos bem as nossas emoções para os ajudarmos a gerir a deles.

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